Você já sentiu Deus hoje?
Hoje, quero falar sobre a presença do sofrimento, esse vazio existencial imprevisível, difícil de compreender, que parece nos acompanhar desde o primeiro instante da vida.
É inquietante pensar na ausência de Deus ao nosso lado. Ao mesmo tempo, surge a ideia de um pai onipotente, que tudo sabe, inclusive as razões do nosso sofrimento, mas que escolhe não revelar. Talvez porque acredita que precisamos atravessar sozinhos esse caminho, aprender por conta própria, encontrar um sentido que só pode ser descoberto individualmente. Uma criação que, em certos momentos, parece perfeita e preciosa, mas que em outros perde completamente o valor, tudo isso dentro de uma realidade que não escolhemos viver.
Vivemos em um cenário que se apresenta como liberdade, mas muitas vezes soa como controle. E o mais desconcertante é que não conseguimos simplesmente ignorar isso: nascemos com os olhos abertos, tentando entender um funcionamento que não faz sentido e, pior, que nem sempre aceitamos.
Chamamos por Deus. Às vezes, Ele aparece de forma sutil, quase imperceptível. Sussurra que somos parte de algo maior, oferece alguns minutos de alívio que logo se transformam em lágrimas, e depois se vai. O vazio retorna, frio, silencioso. E o aprendizado parece não chegar. Talvez porque essa “presença” funcione mais como um apoio momentâneo, algo que nos ajuda a continuar, a manter o foco, a seguir acordando no horário, cumprindo obrigações, pagando contas, sustentando a rotina.
Há um cansaço profundo. Um cansaço que alcança até a própria busca por Deus. Como se a exaustão de existir fosse tão grande que nem mesmo a esperança, ou a ilusão dela, fosse suficiente para nos mover.
E então fica a pergunta: se nada disso faz sentido, por que continuar? Por que seguir tentando encontrar significado, ou ao menos fingir que ele existe? Por que não simplesmente descansar dessa vida, em vez de permanecer nesse ciclo?
Talvez porque, mesmo sem entender, seguimos. Presos ao corpo, à mente, ao tempo e à própria realidade. Sem a liberdade que imaginávamos ter, resta sobreviver. E, no meio disso tudo, talvez exista uma única responsabilidade silenciosa: não deixar que esse vazio transborde e machuque outras vidas.
E, ainda assim, mesmo no meio do vazio, há algo que insiste em continuar. Talvez não seja sentido. Talvez seja só resistência. Mas é o que, de alguma forma, nos mantém aqui.



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