Você consegue sentir o peso da dor no outro?


 O corpo é uma máquina de altíssima tecnologia, dotado de uma inteligência insuperável. Foi criado para ser perfeito, quase indestrutível e, paradoxalmente, é ele mesmo que nos limita, por ser esplêndido, mas não eterno. Mesmo com tanta capacidade, nos perdemos em pensamentos destrutivos, em comportamentos impulsivos, em olhos que enxergam apenas o que lhes convém e em ouvidos sempre prontos a alimentar convicções e valores vazios. Em um único instante de euforia, o corpo é capaz de expressar amor profundo e, ao mesmo tempo, ódio intenso.

Não compreendemos a magnitude de nossas capacidades físicas, mentais, espirituais e emocionais. Estamos constantemente nadando contra ondas que, em dias de tempestade, nos obrigam a sobreviver, e que, em dias de sol, nos oferecem uma calmaria que não traz equilíbrio, mas nos conduz a um estado de estagnação e comodismo, afinal, ficar parado cansa menos.

E como compreender a profundidade da dor que nossas palavras causam se estamos aflitos, exaustos de tanto nadar sem jamais alcançar terra firme para o merecido descanso? Para quem te escuta, a dor é inevitável; para quem te observa, o desamparo é evidente; para quem te sente, o mar é profundo, frio e solitário.

A reflexão é a seguinte: se você está entre escutar e ser escutado, seja por alguém que nada em um mar tranquilo e cheio de vida, seja por alguém em conflito, perdido em um mar violento e vazio, quais pensamentos serão a verdadeira fonte dos seus comportamentos?

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